PACIÊNCIA

PACIÊNCIA

“O homem impaciente não tolera a dor, mas tampouco se liberta dela – tudo o que ele faz é incorrer em um sofrimento ainda maior. Já o homem paciente prefere suportar o mal sem cometê-lo, em vez de cometê-lo sem suportá-lo; e assim sua paciência torna mais leve o que a impaciência tornaria mais pesado.”                                                               (Santo Agostinho)

Quando falamos de paciência, como virtude, como fruto do Espírito Santo, o fruto que nos dá a capacidade de saber suportar, resignar, refrear a ira, demorar em dar lugar a impaciência, nos lembramos de Jó, um homem da terra de Hus.

Sob todos os parâmetros da época, era um bom sujeito. Havia enriquecido sem desonestidades e era generoso com suas vastas riquezas. Com os servos, era bondoso e cordial. Os vizinhos o tinham em altíssima conta e lhe pediam conselhos. E temos todos os motivos para acreditar que fosse um pai amoroso e dedicado para seus sete filhos e três filhas.

Era um homem cheio de virtudes. Lendo o livro de Jó vemos que um diálogo entre o Criador e o acusador selou o seu destino.  E então vieram as desgraças, que não foram poucas. Jó perdeu tudo quanto tinha, tornou-se um mendigo e poderia até ter amaldiçoado a Deus e morrido. Mas, não amaldiçoou a Deus e não morreu; Jó tinha muito que pensar e dizer sobre o próprio sofrimento. E porque disse e pensou, tornou-se um símbolo, em vez de ser apenas mais uma vítima.  A palavra de Deus mostra que a paciência é uma virtude tão difícil de definir quanto de praticar. Jó passou a ser o modelo da virtude da paciência: “paciência de Jó”. Porém se entendermos a paciência como “sofrer sem reclamações”, vamos ver que nosso amigo não foi nada paciente; ele reclamou muito, mas esperou em Deus. Em certo sentido, a paciência é a última das virtudes, não porque seja a menos importante, mas porque ela nos salva de cometer muitos erros, quando todas as outras virtudes parecem ter nos abandonado.

Paciência vem do latim patere, “suportar” ou “sofrer”; é a arte de suportar tristezas sem perder a compostura. Conforme Santo Agostinho a paciência é a virtude pela qual o ser humano tolera a desgraça e o mal com a mente firme para não correr o risco de, no momento da desgraça, renunciar ao que é bom junto ao que é ruim.

No mundo atual, para quem tem que esperar um ônibus, enfrentar uma reunião não programada, confrontar com o querer dos filhos ou lidar com alguma das mínimas e inúmeras contrariedades do dia a dia se faz necessário buscar o exercício da paciência, para que esta não se torne um mero utensílio encostado em um canto.

A virtude da paciência é uma combinação de coragem com simplicidade: nem todos podemos ser heróis, mas todos podemos ser pacientes; o que não podemos deixar acontecer é a paciência se tornar conformismo (o próprio desespero em formato confortável), lembre-se de Jó, o mais paciente dos homens, que jamais se conformou com coisa alguma; pelo contrário, questionou todas as situações pelas quais passava até encontrar resposta. E todas as respostas que precisamos, para todas as situações, podemos buscar na Palavra de Deus.

Santa Teresa de Jesus (de Ávila) nos diz: “Nada te perturbe, nada te amedronte, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança, a quem tem Deus nada falta, só Deus basta.”

Aproveite este mês para ler, meditar e rezar mais com a Palavra de Deus. Que tal ler o livro de Jó?

Autor: Tiãozinho e Mila – Ministério das Famílias

Comunidade Javé Nissi