A dessacralização da Família

A dessacralização da Família

Analisar a família sob a ótica do sagrado em nossos dias não é opcional, é, isto sim, fundamental! Caminhamos em estradas turvas e sinuosas, em nome da família estamos acabando com a família, embora pareçam redundante os termos, mas este é o triste cenário em que vivemos: uma sociedade que diz privar pela família e, no entanto, tem traçado os priores rumos para a edificação da mesma.

Impressiona ver como em nossos dias ela vem sendo atacada, ainda que com sutileza e, me arrisco a dizer, até sem consciência, ataques estes que vem solapando seus princípios, elementos essenciais para sua subsistência. Não bastasse o enfoque na ideologia de gênero que gerou um debate razoável em diversos municípios, podemos destacar também as letras do afamado sertanejo universitário.

Uma das letras que estão em voga é a do cantor Thiago Brava “vai namora bobo”. Tratamos já em artigos anteriores os princípios elementares de um saudável relacionamento, considerando inclusive alguns relevantes, tais como o diálogo, a sinceridade a dimensão agapica etc.

A letra de tal música denota a desvalorização do relacionamento, da fidelidade e supervaloriza a apregoada síndrome de Peter Pan! Fala-se e anuncia-se com tanta veemência a vida de solteiro, alias a vida de pegador, que se faz ver que o sujeito (há e não bastasse o sujeito, agora está em voga também a sujeita, isto é, as mulheres pegadoras) nunca envelhecerá, viverão sempre no auge de sua potência física, psicológica, sexual e pessoal!

Já há um bom tempo profetizou Renato Russo: “Há tempos são os jovens que adoecem, há tempos que o encanto está ausente”. Os jovens cada vez mais são iludidos neste discurso vazio, próprio dos tempos de pós-modernidade/modernidade liquida, ou seja, tempos de inconstância. Não se tem firmeza de decisões, não se tem projeção de futuro, não se tem esperança num relacionamento a dois, quando se propõem tal feita, vão desde “que seja eterno enquanto dure esse amor, te amo hoje, amanhã já não garanto”, ou ainda, mais uma das proezas do sertanejo universitário: “Amar eu amo muito, prestar que eu presto é pouco”. Às vezes somos quase condicionados a pensar que o tal ritmo sertanejo expressa a cultura dos universitários. Contudo, tal crítica seria injusta, pois mesmo no âmbito do sertanejo universitário existem boas canções e também no ambiente universitário existem muitos alunos empenhados e que serão profissionais a altura do titulo que receberão.

Minar os princípios e valores da juventude é o mesmo que arrancar as bases de uma casa, sem esta as paredes não estão suscetíveis, por consequência não suportarão o primeiro contra tempo que as confrontar, tal analogia serve para que compreendamos que tipo de família teremos no futuro, tendo em vistas a cultura em que estamos vivendo.

Se quisermos salvaguardar a família devemos olhar no presente o que damos a nossos jovens. O ser humano é filho do seu tempo, no entanto ele é condicionador da cultura, podendo optar por aceitá-la ou transformá-la. O que se espera da sociedade é mínimo em relação aos princípios e valores, contudo este mínimo parece estar muito distante. Como Igreja, como cidadãos de bem que somos, devemos ser mais ousados colocando às claras o que é daninho e reconhecendo o que é bom. Não se constrói um mundo novo com omissão e submissão!

A sacralidade da família passa pela sadia edificação da juventude. Sigamos o conselho de São Paulo: Ficai com o que é bom! Retomemos a oração, o perdão, o diálogo, a formação, o compromisso e a união! Com estes passos e com os olhos fitos em Cristo, as palavras do Apóstolo dos gentios farão também sentido em nossas vidas: Crê no Senhor Jesus e serão salvos você e os da sua casa (At 16,31). 

Autor: Carlinhos Faria

Comunidade Javé Nissi