Namorar para casar!?

Namorar para casar!?

Eis uma questão polêmica ou no mínimo inquietante! Vamos elaborar melhor esta pergunta: só posso namorar se tiver intenção de casar? Se namorar sem intenção de casar estarei pecando? Perguntas intrigantes supõem respostas instigantes.

Para responde a/ou as referidas questões, primeiro temos que definir o que é o namoro e qual a sua relação com o casamento (matrimônio).

Namoro é necessariamente um tempo de trocas de experiências, de conhecimento, de projetos etc. Trata-se de um tempo onde permitimos que outra pessoa se intrometa em nossa vida, opine e às vezes até interfira em nossas decisões. Se esse namoro é bem vivido, de preferência com a busca do equilíbrio das paixões (vontades), torna-se uma ferramenta excepcional para nos arrancar de nossos egoísmos, liberar nossos afetos (há quem diga que expressar amor é pagar mico), exercitar o perdão e confirmar a narrativa do livro do Gênesis (2,18): “Não é bom que o homem (ser humano) fique só”!

Não são poucos os casos de pessoas dadas a bebedeira, as drogas, a prostituição a violência… que ao começarem a namorar são transformadas como que da água para o vinho. Em suma, o namoro propícia desde o autoconhecimento a reciprocidade, a sinceridade e a humanização.

Olhando a realidade atual, ainda mais se o fizermos à luz do sertanejo universitário, diríamos que tal ótica do namoro é utópica, mais ao contrário, utópica e alienante é a felicidade que tais músicas tentam incutir em seus interlocutores.

E quanto ao matrimônio? Podemos já a priori afirmar que um namoro que não experimenta as dinâmicas acima referidas, caso chegue ao casamento, já chega com o atestado de óbito assinado, é “nati morto”.

O matrimônio é a resposta de uma vocação, de um chamado existencial, é caminho de felicidade, de realização. Não se trata da ausência de problemas, antes é um meio eficaz para superá-los! Como toda autêntica vocação ele é HUMANIZANTE, faz com que o/a homem/mulher descubram o seu melhor, aprimorem suas virtudes. Tamanha sua magistralidade, essa relação, esse sacramento é gerador de vida e ao mesmo tempo seu ambiente mais propício!

Podemos assim dizer que o namoro é uma preparação para o matrimônio, e que o matrimônio é um namoro que deu certo!

Mas vamos à pergunta inicial: todo namoro tem que visar o matrimônio? Não temos que necessariamente namorar já pensando em casar; mas sabiamente observar no namoro o porquê, com quem e quando estaremos razoavelmente preparados para casar.

Parafraseando um jargão popular: “Todo namoro pode terminar, mais um casamento só a morte pode encerrar”. O namoro é a trilha que enquadramos nossos passos no caminho que fazemos para o matrimônio. O namoro é sempre bom, mas sua razão de ser está no casamento e, não em viver o momento! Ninguém é objeto de ninguém e, se nos dispomos um para o outro devemos fazê-lo por amor, mesmo que este sentimento não tenha sido suficientemente amadurecido em nosso coração ele é o princípio da amizade tanto quanto da relação a dois.

Sendo assim, ainda que indiretamente, todo namoro traz em seu bojo os sinais do casamento e, são ambos parte da pedagogia divina para nos ensinar a viver o amor em todas as dimensões a nós cabíveis!

Autor: Carlinhos Faria – Teólogo – Membro da Comunidade Javé Nissi

Comunidade Javé Nissi