Castidade – Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós

Castidade – Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós

FUNDAMENTAÇÃO ONTOLÓGICA E TRANSCENDENTE DA CASTIDADE

A castidade transcende o humano (leva-o a sair de seu egoísmo), não somente por sua estrutura racional, mas também espiritual. A dinâmica espiritual funciona como uma força motriz, uma volição que leva o homem a elevação real de seu potencial. Na sua relação com Deus o homem produzirá o seu melhor. Embora tenha liberdade para construir sua história, foi lhe dado um manual para que ele possa, caso venha a cometer equívocos, refazer sua história. Mesmo quando o ser humano erra Deus não o desampara, ao contrário lembra-lhe o caminho a seguir (Jo 14,6).

O homem, de toda a obra criada por Deus, é de longe, a mais fenomenal! Trata-se de um ser livre, dotado de consciência-inteligência, capaz de construir sua história, não por força de instinto, mas na reflexão, ainda que por acertos e erros.

Essa liberdade incomodou profundamente o filosofo existencialista e ateu Jean Paul Sartre (1905-1980), “o homem está condenado à liberdade”, no fundo ele não está equivocado em sua percepção da responsabilidade que a liberdade acarreta, seu raciocínio se ofusca ao descartar o manual, isto é, ao não reconhecer Deus, sua bondade e amor criador, sem esse manual, sem esse criador bondoso e amoroso, que não nos desampara e nos assiste e orienta em nossa liberdade, sem Ele estaríamos realmente numa realidade catastrófica.

Neste manual, neste projeto está o convite que Deus nos faz à castidade, ela nos é apresentada não como algo que vem tolher nossa liberdade, ao contrário, vem para potencializar justamente o que nos distingue dos animais em geral, nossa inteligência racional, permitindo-nos dominar nossos instintos. Temos instintos tanto quanto os outros animais, contudo os transcendemos (vamos além) ao podermos utilizá-los no momento certo, não como alguém que o exercita no acaso, no simples impulso da vontade.

Somos inteligentes, podemos nos projetar para o amanhã, preparar o momento certo, justamente para que não vivamos de vontades passageiras, mas para que unamos esse desejo há um amor puro e constante, que nos habilita a constituirmos uma família, que se torne sagrado, que seja sacramento!

A castidade faz brilhar o amor, produz a transfiguração do humano, fazendo-lhe perceber o quanto é divino, ver que seu criador não o abandonou que o manual que lhe foi dado não é um simples conjunto de regras, antes, a visualização concreta do encaixe das peças, bem como sua perfeita funcionalidade. O homem em Deus orienta-se para a perfeição, porém longe Dele, é um perfeito candidato a frustração.

Ao buscar a vontade de Deus o homem entra em conflitos interiores, pois o mais cômodo seria fazer as vontades que anos assaltam de instantes a instantes, contudo, é perceptível ao ser humano que suas vontades, não somente no que tange a castidade, precisam de equilíbrio, de domínio, aqui, podemos afirmar: já está o prefácio, deste manual que Deus nos deu. Este manual nada mais é que nossa própria consciência que nos desperta em relação ao que é certo o que de fato nos realiza. Vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica no parágrafo 1777 1778:

“Presente no coração da pessoa, a consciência moral lhe impõe, no momento oportuno, fazer o bem e evitar o mal. Julga, portanto, as escolhas concretas, aprovando as boas e denunciando as más. Atesta a autoridade da verdade referente ao Bem supremo, de quem a pessoa humana recebe a atração e acolhe os mandamentos. Quando escuta a consciência moral, o homem prudente pode ouvir a Deus, que fala. A consciência moral é um julgamento da razão pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai planejar, que está a ponto de executar ou que já praticou. Em tudo o que diz e faz, o homem é obrigado a seguir fielmente o que sabe ser justo e correto. E pelo julgamento de sua consciência que o homem percebe e reconhece as prescrições da lei divina: A consciência é uma lei de nosso espírito que ultrapassa nosso espírito, nos faz imposições, significa responsabilidade e dever, temor e esperança… E a mensageira daquele que, no mundo da natureza bem como no mundo da graça, nos fala através de um véu, nos instrui e nos governa. A consciência é o primeiro de todos os vigários de Cristo”.

Para refletirmos fica-nos o conselho do Apóstolo Paulo: “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova” (Rm 14,22).

Autor: Carlinhos Faria – Teólogo – Membro da Comunidade Javé Nissi

Comunidade Javé Nissi