Amor Livre e Descomprometido

Amor Livre e Descomprometido

É muito comum ouvirmos que o sinônimo de amor é liberdade. E é verdade, mas precisamos compreender de que tipo de amor estamos falando. Prosseguimos aqui nossa reflexão sobre a castidade e, como já afirmamos outrora, ela é critério de valor. Justamente neste ponto entra o amor!

Na cultura atual as pessoas são treinadas, se é que assim podemos dizer, a desfrutarem do prazer de seus corpos como se estivessem usando um celular, andando de bicicleta ou passeando em seu carro. O contexto moderno faz parecer que a vivência sexual desregrada ou livre de compromissos fosse algo o qual eu pudesse usufruir sem ser diretamente afetado (a).

Tal corrente de pensamento não considera, pelo menos devidamente, a integridade da pessoa e sua necessidade de um amor comprometido e fiel. Não são poucos os casos de jovens e também mulheres e homens já casados que pensam que o amor verdadeiro precisa ser picante, apimentado e, para tais reflexões não são poucas as revistas “especializadas” que proporcionam está visão utópica. A revista cosmopolitan (Ano 44 nº1), de janeiro de 2016, traz em seu bojo uma sessão com o título “sexo lacrado, destino: orgasmo”, dentro de suas abordagens traz algumas entrevistas com mulheres bem sucedidas, decididas que narram suas aventuras sexuais cujo foco é o orgasmo, no entanto, orgasmo a qualquer custo, daí uma das orientações: “… antes de dormir que tal um play no seu filme pornô predileto? O próximo passo você já sabe” (p. 103). Poderíamos completar essa frase dizendo: sabemos sim! Uma porta aberta para o adultério, uma avanço na coisificação do ser humano etc. Inclusive um dos testemunhos inclui uma mulher casada!

Foi se o tempo em que só os homens maquinavam tais pensamentos, o feminismo alcançou seu espaço, no entanto, se este é o espaço desejado podemos dizer que esta ideologia arrancou as mulheres da senzala para coloca-las nas mãos do feitor. A falsa ideia de amor tem seu preço, e já estamos pagando por ela, basta vermos a desestrutura da sociedade que é filha da desestrutura da família, não afirmamos com isso que a mulher deva se sujeitar, mas sustentamos firmemente que sem a vivência desse amor comprometido e oblativo, esta falsa liberdade conduz há um precipício pessoal e social.

A mesma revista acima citada traz seguinte definição do amor: “Não da pra explicar direito o amor: Só sei que é introspectivo, desplugado, alternativo e você se adapta” (p. 102). Tal concepção foge aos parâmetros da doação, da entrega, do cuidado, do perdão, do diálogo. O texto como um todo implanta uma utopia generalizada, o que caberia no contexto de um adolescente, mas não de um adulto. Vejamos outra percepção de amor: “O amor não é nunca algo já feito e simplesmente oferecido à mulher e ao homem, mas terá que ir sendo elaborado. Eis aqui como é preciso vê-lo: em certa medida, o amor nunca é, mais sim vai sendo a cada momento, o que de fato cada uma das pessoas lhe traz e na sua profundidade de seu compromisso” (WOJTYLA, apud, VIGIL[1], p. 18).

Não existe amor sincero que não seja comprometido, não existe doação que não demande esforço, não existe perdão que não tenha de superar uma mágoa. Se não compreendermos esses princípios basilares fica insuportável pensar em castidade. Nas cenas dos próximos capítulos continuaremos a discutir o assunto. Para o momento cabe-nos a seguinte pergunta: Estamos dispostos a AMAR?

[1] VIGIL, Pilar. Para amar e ser amado. Fundamentos para uma educação autêntica no amor. Editora: Canção nova. São Paulo, 2012.


 

Autor: Carlinhos Faria – Teólogo – Membro da Comunidade Javé Nissi

Comunidade Javé Nissi