RCC: Uma Estratégia de Deus

RCC: Uma Estratégia de Deus

Deus tem um propósito muito específico ao vocacionar, nesses tempos, na Igreja, essa expressão chamada Renovação Carismática (assim como, obviamente, também o tem ao suscitar tantas outras expressões). Dizia João Paulo II: “Sempre quando intervém, o Espírito deixa-nos maravilhados. Suscita eventos cuja novidade causa admiração; muda radicalmente as pessoas e a história. Esta foi a experiência inesquecível do Concílio Ecumênico Vaticano II, durante o qual, sob a guia do mesmo Espírito, a Igreja redescobriu como constitutiva de si mesma a dimensão carismática”.[1]

E disse ele – como já vimos – que nós temos “o segredo da experiência regeneradora da efusão do Espírito, experiência típica que caracteriza o caminho de crescimento proposto” pela RCC.

Em outra ocasião, dizia ele: “… eu estou convencido de que este movimento é um verdadeiro componente na renovação total da Igreja, nesta renovação espiritual da Igreja”. (11/12/79, aos membros do (então) ICRO, em audiência especial com o Cardeal Suenens).

De que “renovação espiritual” está a Igreja a necessitar? Teórica? É de “teologia pneumatológica” que a Igreja está carente? Por certo, não. Da existência do Espírito Santo, todos na Igreja estão convencidos. É, preciso, no entanto, redescobrir “a presença e a ação do Espírito Santo (TMA 45). É dos sinais e da atualidade de Pentecostes que a Igreja tem necessidade (cf. Paulo VI). É para que Pentecostes se torne uma realidade viva na Igreja que João Paulo desejava que sua espiritualidade se difundisse (vigília de Pentecostes de 2004)… Ou será que quando Paulo VI dizia.[2]

Já nos perguntamos, muitas vezes, quais são as maiores necessidades da Igreja… Que necessidade julgamos a primeira e última para a nossa abençoada e dileta Igreja?… Devemos dizer, com a alma trepidante e absorta na oração, que a Igreja tem necessidade do Espírito Santo, que é seu mistério, sua vida… A Igreja tem necessidade de seu perene Pentecostes; tem necessidade de fogo no coração, de palavra nos lábios, de profecia no olhar”; “Mais que nunca, a Igreja e o mundo precisam que o milagre de Pentecostes continue na história”.

Estava ele se referindo ao sacramento do Batismo? Ou à experiência de Pentecostes, caracterizada pelo batismo no Espírito Santo?

A Renovação Carismática não terá cumprido o papel a que foi vocacionada se não estiver sendo capaz de colaborar com Deus e com a Igreja em seu propósito de levar as pessoas, dentro e fora dela, a fazer a autêntica experiência do Pentecostes identificada nas Escrituras com o batismo no Espírito Santo.

A promessa é para todos. Podemos viver e nos salvar sem ela; mas, sem ela, prosseguiremos servindo a Deus na energia da carne, negligenciando o poder que nos é oferecido no dom de Seu Espírito; negligenciando a única força capaz de transformar o mundo e estabelecer entre os povos a civilização do amor (cf João Paulo II, a 14/03/2002).

Os que temos feito a experiência do Espírito, não podemos nos esquecer das advertências da Palavra:

  1. É possível resistir ao Espírito (At 7, 51)
  2. É possível contristá-lo (Ef 4,30)
  3. É possível extingui-lo de nossa práxis (l1Tes 5, 19-20)
  4. Fiquemos com a melhor advertência: “Enchamo-nos do Espírito”! (Ef 5, 18b)

 FINALIZANDO

Ao fim da Exortação Apostólica Christifideles Laici, sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo, João Paulo II ressalta a importância de se ter consciência da dignidade de nosso Batismo (sacramento):

“É de particular importância que todos os cristãos tenham consciência da dignidade extraordinária que lhes foi conferida no santo Batismo: pela graça somos chamados a tomarmo-nos filhos amados do Pai, membros incorporados em Jesus Cristo e na Sua Igreja, templos vivos e santos do Espírito”.

E, para que cresçamos nessa consciência, o Santo Padre invoca e intercessão da Virgem Mãe, assim:

Ó Virgem Santíssima, Mãe de Cristo e da lgreja(..,),

Tu que estiveste no Cenáculo

Com os Apóstolos em oração,

À espera da vinda do Espírito de Pentecostes,

Invoca a Sua renovada efusão

Sobre todos os fiéis leigos, homens e mulheres,

Para que correspondam plenamente

À sua vocação e missão,

Como ramos da “verdadeira videira”,

Chamados a dar “muito fruto”

Para a vida do mundo[3].

[1] 28 de maio de 1998, no Discurso aos participantes do Congresso Mundial dos Movimentos Eclesiais

[2] 29/11/1972, L ‘Osservatore Romano de dezembro de 1972 e Z, L’Osservatore Romano de 17/10/1974.

[3] Ch L 64.


 

Autor:  Reinaldo Beserra dos Reis – II Congresso Teológico-Pastoral da RCC-2006

Comunidade Javé Nissi