A Pedra Angular – Diálogo Sincero

A Pedra Angular – Diálogo Sincero

Embora o título seja instigante, tem muito a nos dizer do que já sabemos, mas infelizmente praticamos pouco. Intitular o diálogo como pedra angular não tem a conotação de substituição do amor, da fidelidade, antes ele permeia e sustenta estas e as demais vias diretas e indiretas do relacionamento.

O diálogo é uma ferramenta que se bem utilizada no namoro salvaguarda o matrimônio e na amizade faz ver a sinceridade. No entanto, não podemos esquecer que tanto no namoro quanto no casamento estamos envolvidos em uma série de circunstâncias que precisam ser discernidas, rezadas e, por vezes orientadas. Digo isto para frisar que não propomos aqui soluções mágicas para relacionamentos, antes procuramos iluminar a realidade a fim de extirpar alguns ofuscamentos mais comuns nos relacionamentos.

Já há alguns anos tenho tido a possibilidade de orientar casais de namorados, recém-casados e, inclusive alguns já de longa data na vivência matrimonial. O que impressiona é que tanto uns como os outros supracitados tem na raiz de seus problemas a mesma coisa: FALTA DE DIÁLOGO!

A relevância do diálogo se faz valer por uma série de fatores, adentra o conhecimento mútuo, perpassa o histórico de vida, a situação presente e projetos futuros.

No âmbito do conhecimento ele tem o poder de nos livrar da imposição das ideias. No relacionamento a dois quando um se sobressaí na imposição de ideias o outro sempre sai oprimido e, mais cedo ou mais tarde haverá a revolução dos anônimos, isto é, essa relação terá fim e suas consequências não serão das melhores. ATENÇÃO! No inicio do relacionamento, quando estamos apaixonados, submersos no erós e na filia, ficamos como que anestesiados e aparentemente suportamos com facilidade as falhas do outro, contudo ao passar do tempo, na maturação do relacionamento, o que não foi conversado, discutido e possivelmente resolvido, tornar-se-á uma ferida aberta e, na maioria dos casos incurável! E por aqui já notamos sua intervenção na situação presente e, por conseguinte nos projetos futuros. Uma vez não esclarecidos os questionamentos, os medos, não rezada nem curadas as feridas o presente vira um inferno e o futuro tenebroso e obscuro.

Já nosso passado seja ele pior, ou melhor, quer queiramos quer não é degrau para nosso futuro. Para muitos o passado é um degrau escorregadio, doloroso e insuperável. Para outros é alicerce, impulso e testemunho de vitória.

No relacionamento o passado é algo que primeiro tem que ser rezado, curado, para depois ser dialogado! Ao ser dialogado não é via de murmuração, nem de vanglória, mas de maturidade, de reflexão de aprendizado. É fonte de vida nova!

Quando o diálogo existe no âmbito do relacionamento, e é de matriz sincera, fica bem mais fácil discernir se tal relação tem condições de se tornar um matrimônio ou se é melhor tornar-se uma boa amizade.

No diálogo entramos na vida alheia e ao mesmo tempo permitimos que o outro também adentre na nossa; ele é pedra angular, porque mesmo que o outro adentre minha história ele não desestrutura minha pessoa, ao contrário ilumina e colabora no meu crescimento. Sigamos o conselho de Paulo: “Não se ponha o sol sobre vosso ressentimento” (Ef 4,26).


 

Autor: Carlinhos Faria – Teólogo – Membro da Comunidade Javé Nissi

Comunidade Javé Nissi