Diagnóstico das Manifestações Diabólicas

Diagnóstico das Manifestações Diabólicas
  1. O critério de diagnóstico

Quando se faz um diagnóstico dos três tipos de intervenção diabólica – infestação local, opressão e possessão diabólica – não se pode concluir automaticamente, a partir dos sintomas somente, que um dado fenômeno é de origem diabólica. Como temos visto, as ciências da psiquiatria e da parapsicologia também investigam muitos destes mesmos sintomas e, por isso, a possibilidade de haver possessão diabólica deve ser verificada em cada caso individualmente.

A intervenção diabólica não pode mais ser postulada, como no passado, baseando-se simplesmente num fenômeno externo que parece ser sobrenatural. Antes, deve-se sempre trabalhar com a hipótese de que haja uma explicação natural para tal fenômeno. Em outras palavras, não se pode nunca atribuir qualquer fenômeno a uma causa preternatural ou sobrenatural quando houver a menor possibilidade de que possa ter uma explicação natural. De fato, não se pode atribuir a causa de um fenômeno à intervenção de super-poderes a menos que se tenha demonstrado a impossibilidade de uma explicação natural.

Conseqüentemente, uma intervenção preternatural ou diabólica nunca pode ser proposta como uma hipótese inicial de trabalho ou, o que é pior, como urna teoria do oculto; tal intervenção pode ser postulada apenas depois de ter sido provada, caso a caso.

Tendo visto que há uma grande similaridade entre fenômenos psiquiátricos e parapsicológicos de um lado e entre sintomas de intervenção diabólica do outro, é óbvio que a única prova possível e válida de atividade diabólica deve ser baseada na modalidade do fenômeno e não exclusivamente no fenômeno em si. Os fenômenos podem muito possivelmente ter uma causa natural e isto deve ser sempre presumido até que se prove o contrário.

E, portanto, através da investigação da modalidade do fenômeno, do padrão que regula a manifestação e a recorrência do fenômeno, que se pode determinar se um dado caso tem ou não origem diabólica. E uma vez que a ciência pode investigar, estudar e formular esta modalidade ou padrão, um critério de diagnóstico que use estes dados pode ser considerado certamente um critério cientifico.

O novo critério de discernimento (diagnóstico), portanto, baseia-se na modalidade do fenômeno sob investigação. Por razões práticas, e tendo em mente o diagnóstico de uma possível possessão diabólica, onde este critério tem sua mais simples e mais completa aplicação, propomos duas fases ou dois passos:

Primeiro: a obtenção de evidências e depois a avaliação ou um diagnóstico definitivo.

Segundo: Avaliação e processo de discernimento (diagnóstico definitivo).

Após a conclusão do primeiro passo, desde que o caso não justifique maiores investigações, não há necessidade de se prosseguir para o outro (avaliação e discernimento).

  1. Obtendo evidências

Para esta primeira fase temos o seguinte princípio de trabalho: A presença, em um indivíduo da fenomenologia psiquiátrica e parapsicológica é por si mesma uma forte indicação de possessão diabólica.

O fenômeno psíquico inclui uma forte aversão ao sagrado; se isto não está presente, não pode haver dúvida sobre a não possessão diabólica. Mas se um indivíduo manifesta uma aversão psiquiátrica anormal ao sagrado, acompanhada por sintomas parapsicológicos, pode-se com um alto grau de possibilidade suspeitar de possessão diabólica. Neste caso os fenômenos ou sintomas devem ser estudados cuidadosamente e pode haver evidência suficiente para se prosseguir para a segunda fase da investigação, a saber, a formulação de um diagnóstico definitivo.

A primeira fase – a da obtenção de evidências – é simplesmente uma fase de seletividade, isto é, determinar se um caso deve ser levado para a segunda fase, onde o diagnóstico é finalizado.

Podemos falar que este princípio de trabalho de discernimento possui também alguns critérios:

Primeiro:

A fisionomia ou a própria natureza da possessão diabólica requer normalmente a dupla manifestação das fenomenologias psiquiátrica e parapsicológica descritas anteriormente (Instrução 6). Portanto, se um indivíduo manifesta estes dois tipos de sintomas, existe razão suficiente para se suspeitar da possibilidade de possessão diabólica.

Segundo:

Não existe necessariamente uma natural relação entre estes dois tipos de fenomenologia; um pode existir sem o outro. Isto pode ser esperado, porque se eles têm uma causa natural, um grupo de sintomas irão proceder de uma condição patológica enquanto o outro pode ser o efeito de algum dom ou poder incomum. Mas para os dois grupos de sintomas ocorrerem juntos é excepcional; e é ainda mais raro se forem acompanhados por uma intensa aversão ao sagrado. Por isso que quando estas condições são preenchidas existe não só uma indicação, mas uma forte indicação de possessão diabólica.

Pode-se rapidamente ver porquê este segundo ponto pode mudar a suspeita de uma forte probabilidade de possessão pelo diabo.

Terceiro:

Os psiquiatras normalmente concordam que uma pessoa sofrendo de uma doença mental não exibirá freqüentemente poderes parapsicológicos. Por esta razão não encontramos nos manuais de psiquiatria uma lista de descrição de fenômenos parapsicológicos. Estes residem fora do domínio da psiquiatria a da patologia psíquica.

Por outro lado os parapsicólogos não consideram que os fenômenos paranormais estejam conectados e muito menos subordinados aos estados patológicos tratados por psiquiatras. Isto não nega a possibilidade de que uma pessoa sensitiva possa sofrer ao mesmo tempo de alguma forma de patologia psiquiátrica, mas isto é tão remoto que seria considerado uma coincidência e nada mais. Dado o fato de que a existência de ambos os fenômenos, psiquiátrico e paranormal, no mesmo indivíduo, é tão rara, que isto é uma base para se suspeitar da possibilidade de possessão diabólica.

  1. Processo de discernimento (Diagnóstico definitivo)

Somente naqueles poucos casos – 2 ou 3 a cada 100 -nos quais ambos fenômenos, psiquiátrico e paranormal, são verificados deve-se prosseguir para a fase de avaliação e diagnóstico. Nesta fase decisiva é necessário fazer um completo exame da modalidade de fenômeno antes de se prosseguir para um diagnóstico ou julgamento definitivo.

O princípio a ser aplicado aqui é como a seguir: A certeza da possessão diabólica é indicada por modalidades que são distintas ou completamente contrárias àquelas que caracterizam uma causa natural para o fenômeno em questão.

Quando os fenômenos são devidos a distúrbios psiquiátricos ou a algum poder ou energia de ordem natural, eles se apresentarão de uma forma que a ciência postula como condição indispensável para atribuir aos fenômenos uma causa natural. Quando a causa não pode ser verificada, pode-se, em alguns casos, concluir que a causa é preternatural.

Na realidade, a manifestação ou fenômeno que procede de uma causa natural será diferente, ausente ou totalmente em contraste á manifestação ou fenômeno que tem origem diabólica. Em um caso de possessão diabólica o indivíduo não é mais a fonte e origem do fenômeno. Porque enquanto sob o poder do diabo, uma pessoa possessa é simplesmente um instrumento de um ser superior e é incapaz de controlar ou usar suas faculdades.

Deve-se notar, contudo, que enquanto as manifestações das desordens psiquiátricas são bem mais conhecidas e precisamente estabelecidas na psiquiatria, o mesmo não pode ser dito na parapsicologia. Por esta razão não temos ainda uma classificação científica que possa servir como base para hipóteses satisfatórias, normas confiáveis ou identificação de uma manifestação de um dado fenômeno paranormal.

Porém, mesmo no campo dos fenômenos parapsicológicos existem características indicativas, tais como sua amplitude e multiplicidade, que não caem dentro da classe das pessoas especialmente dotadas ou chamadas “sensitivas”. Uma vez que o processo de discernimento é baseado na modalidade do fenômeno, será sempre um critério válido, e que o progresso científico irá apenas aumentar sua eficácia.

Pode-se aprender a partir do estudo da psiquiatria e parapsicologia quais são os elementos que constituem a fisionomia ou modalidade dos fenômenos naturais. No momento, contudo, os seguintes pontos merecem ser notados:

a) Sintomas Psiquiátricos

Estados mentais patológicos pressupõem no indivíduo um caráter e uma mentalidade patológicos, e isto é usualmente influenciado por um grande grau de hereditariedade Este fato é especialmente importante quando consideramos a síndrome de histeria, a qual muito comumente apresenta uma simulação de possessão diabólica.

Conseqüentemente, quando iniciamos um processo de discernimento, é útil investigar a história do paciente; por exemplo, doenças passadas, a origem do distúrbio e sua extensão para áreas diferentes da religião. Os sintomas irão cair usualmente dentro de um quadro de uma dada síndrome clínica, e terão sua modalidade particular própria. Contudo, o avaliador deveria sempre ser consciente da tendência dos histéricos de serem teatrais.

Por outro lado, em casos de possessão diabólica a fenomenologia psiquiátrica de forma alguma tem ligação com esta modalidade em particular. É verdade, como dissemos, que uma pessoa possessa poderia também sofrer de anormalidade psiquiátrica, mas então os sintomas psiquiátricos terão suas próprias características distintas.

b) Fenômenos Parapsicológicos

Uma pessoa possessa irá apresentar um quadro muito distinto de um paranormal, independente de qualquer ambiente em particular, condicionamento ou treinamento, da personalidade, da energia psíquica e física do indivíduo. O fenômeno paranormal pode ser de vários tipos e é caracterizado pela espontaneidade, intensidade e uma verdadeiramente incrível autonomia.

Estudos realizados recentemente tem revelado também que algumas pessoas têm sido capazes de agir além dos limites dos poderes humanos normais e executar funções que ainda são inexplicáveis pela ciência.

Mas o que é característico das pessoas possessas é a espontânea e independente manifestação dos fenômenos parapsicológicos e o fato de que não sofrem da exaustão que usualmente se segue aos fenômenos do tipo físico. A exaustão seria o resultado de um esforço intenso da parte do indivíduo, mas em casos de possessão diabólica, como vimos, é o diabo que exercita seu poder despótico através da vítima.

Os fenômenos paranormais naturalmente causados são causados pelo indivíduo, enquanto na possessão diabólica o que quer que aconteça tem o diabo como agente.

  1. Opressão e possessão

Durante a possessão a vítima pode passar por alterações radicais de feição e tipologia corporal; haverá contorções e posturas do corpo ou dos membros que são contra as leis da física e da fisiologia; a vítima pode sofrer perigosas quedas sem qualquer fratura ou contusão; pode haver um crescimento incomum de peso e muitas vezes uma hiper-atividade ou frenesi que muitas vezes ultrapassa qualquer coisa encontrada na epilepsia, alcoolismo ou outros estados de excitação.

Também o paciente pode exercer uma força hercúlea para se desvencilhar daqueles que tentarem segurá-lo ou até quebrar as mais fortes algemas. Deve-se notar, entretanto, que quando pessoas possessas se livram daqueles que deveriam contê-las, elas o fazem com extrema facilidade e sem qualquer demonstração de esforço ou força muscular, mostrando, assim, que o poder que move o indivíduo possesso é muito superior à força puramente humana. Além disso, o violento ódio pelos seres humanos pode algumas vezes ser manifestado, causando dano físico, psicológico ou moral para o indivíduo ou pessoas e coisas ligadas com a pessoa possessa.

Observando um caso autêntico de possessão diabólica, não é difícil de se ver que os dois tipos de fenômenos interagem entre si, de modo que os sintomas parapsicológicos destacam o fenômeno psiquiátrico e os sintomas psiquiátricos dão uma cor ou um tom especial ao fenômeno parapsicológico. Tomados juntos, eles são assim um sinal da presença de um ser superior cujo poder tremendo está em ação mesmo por detrás do fenômeno psiquiátrico comum.

A aversão ao sagrado da pessoa possessa não é uma reação casual e impensada: é uma aversão constante, em adição, existe uma percepção intuitiva do sagrado e do divino. Além disso, uma pessoa possessa pode decidir, relutantemente, ajoelhar diante do Santíssimo Sacramento mais facilmente do que beijar uma imagem da Santíssima Virgem Mana, mas seria extremamente difícil para este indivíduo mostrar qualquer sinal de respeito ou reverência a um sacerdote. Isto seria um tremendo ato de humilhação para o diabo. Se ele considera repugnante fazer um ato de reverência a Deus, seu Criador, ele é muito menos inclinado a mostrar qualquer reverência a uma criatura, seja esta criatura a Mãe de Deus ou um ser humano dotado do sagrado poder do sacerdócio.

Diferentemente das pessoas possessas, indivíduos que são vítimas de opressão diabólica pessoal sempre retêm consciência e controle de suas próprias ações. Eles não manifestam, portanto, aquela aversão ao sagrado que é característica da possessão diabólica. Se, contudo tanto o fenômeno psiquiátrico quanto o parapsicológico forem verificados, esta é uma indicação de probabilidade de uma presença diabólica. Mas a prova contra ou a favor desta presença depende da aplicação da segunda fase do processo de discernimento, a saber, um exame da modalidade do fenômeno em questão. Infelizmente, no momento presente, apenas o fenômeno psíquico pode ser investigado quanto à sua modalidade; entretanto, isto seria suficiente para um discernimento válido.

  1. Fenômenos místicos

Na área dos fenômenos preternaturais, em adição àqueles causados pela intervenção diabólica, é possível também que possam ser causados pela intervenção dos anjos bons, pelas almas em glória ou pelas almas do purgatório. Existem muitos fenômenos listados na teologia mística: por exemplo, visões, conhecimento oculto, dons carismáticos, etc. Algumas destas manifestações têm uma semelhança notável com os fenômenos estudados na psiquiatria e na parapsicologia e. por isso, presume-se que tenham uma causa natural.

Para classificar qualquer um como preternatural deve-se provar cada caso acima de qualquer dúvida razoável. Assim, a regra básica que se aplica a todo fenômeno aparentemente preternatural deve também ser aplicada a fenômenos aparentemente místicos, isto é, deve-se sempre pressupor uma explicação natural até que haja prova suficiente do contrário.

Como seria de se esperar, contudo, não encontramos nas manifestações das experiências místicas àquela aversão ao sagrado que é característica da possessão diabólica. Ao contrário, estamos lidando com uma pessoa que está consciente de suas ações, é responsável por seus atos e cuja vontade é dirigida para o Amor de Deus e ao próximo. Tal pessoa está se esforçando para atingir a perfeição da vida cristã: ser transformado por Cristo através da perfeição da caridade.

Comumente um místico autêntico manifestará ambos fenômenos, psiquiátrico e parapsicológico, especialmente se o indivíduo tiver sido agraciado por Deus com fenômenos místicos extraordinários ou dons carismáticos. Por isso é necessário aplicar o processo de discernimento em sua primeira fase, isto é, a verificação de sintomas psiquiátricos e parapsicológicos, mas com esta modificação: a presença da dupla fenomenologia é apenas uma indicação de causa preternatural, mas não é uma forte indicação.

Na realidade, em vista do princípio espiritual que existe em nós e que é base de toda explicação de fenômenos parapsicológicos, o que quer que sirva para promover a primazia do espírito sobre o corpo irá também promover este poder paranormal ou sensitivo. Portanto, em razão de sua formação ascética, qualquer um que atinja o estado místico irá normalmente possuir esta sensibilidade. Em outras palavras, o místico manifestará uma fenomenologia paranormal.

  1. Critério de diagnóstico do ritual romano

a) O Ritual Romano de 1614

O critério de diagnostico do Ritual Romano, promulgado em 1614, ainda é válido, apesar de suas evidentes limitações. Ele foi baseado em certos fenômenos que numa época foram considerados preternaturais; mas aquilo não mais parece verdadeiro. Uma nova ciência surgiu e estudou aqueles mesmos fenômenos, muitos dos quais têm uma explicação natural.

O Ritual de 1614 declara primeiro de tudo que o exorcista não deveria acreditar muito prontamente que ele está lidando com um caso de possessão diabólica. Ele deve ser capaz de “discernir os sinais, pelos quais ele pode distinguir uma pessoa possessa daquelas que estão sofrendo de melancolia ou de alguma doença”. E quais são os sinais que o exorcista deveria procurar? O Ritual lista os seguintes: falar em urna língua que o indivíduo não conhece ou entender quando outra pessoa fala; manifestar uma força que em muito excede o normal para a idade ou condição do indivíduo; e fenômenos similares que sejam indicação de possessão.

Ao chamar estes sinais nada mais do que indicações de possessão e dando alguns exemplos e não uma lista completa, o Ritual Romano de 1614 atribui ao fenômeno parapsicológico nada mais do que um valor indicativo. Em outras palavras, a possibilidade de uma explicação natural do fenômeno e pressuposta, contudo se qualquer um dos fenômenos demonstrar ser preternatural isto será suficiente como prova de presença diabólica.

O Ritual, entretanto, não afirma que qualquer um ou todos os fenômenos mencionados são por si só sinais “probatórios” de possessão; eles são meramente sinais “indicativos” da possibilidade de possessão.

Mas mesmo nos tempos modernos alguns teólogos referiram-se aos sinais indicados pelo Ritual Romano como definitivos para diagnosticar possessão diabólica e alguns outros viram os sinais como meramente indicativos. Felizmente, existem teólogos que não apenas vêem os sinais meramente como indicativos, mas também requerem mais investigação dos fenômenos.

b) O Ritual Romano revisado em 1952

No Ritual Romano revisado de 1952. Existem duas modificações que devem ser notadas.

Primeiramente, enquanto o texto de 1614 referia-se a pessoas que sofrem de “melancolia (ou bile preta) ou alguma doença”, o texto de 1952 fala de “alguma doença, e especialmente psíquica”. Esta é uma mudança bem-vinda porque substitui a antiga terminologia por uma atualizada versão da medicina moderna.

Ao contrário da segunda edição, na versão original está escrito: “Os sinais de possessão diabólica são”: mas a versão revisada declara: “Os sinais de possessão podem ser”. Ao mudarem a terminologia, os indivíduos designados para estudar o problema mostraram que aqueles eram “crianças de seu tempo” e talvez muitos foram. Eles seguiram a interpretação corrente do texto litúrgico e como resultado eles fizeram a situação ficar pior. É evidente, a partir do contexto, que ao usarem a palavra “sinais”, eles tinham a intenção falar de um sinal indicativo, uma indicação.

Mas é insuficiente dizer, sobre os fenômenos parapsicológicos que são concomitantes com os fenômenos psiquiátricos, que eles “podem ser” sinais de possessão diabólica. Mesmo os fenômenos psiquiátricos sozinhos podem algumas vezes ser tomados como uma indicação de possessão: caso contrário uma pessoa perturbada mentalmente nunca seria equivocadamente diagnosticada como possessa. Mas quando os fenômenos paranormais são somados aos fenômenos psiquiátricos, eles são sempre uma indicação de possessão. É claro, dizer que o fenômeno parapsicológico “pode ser” uma indicação de possessão diabólica ao menos mostra que tal fenômeno carrega um peso particular no diagnostico, mas isto é muito pouco.

c) Uma conclusão

Um processo de discernimento baseado no texto do Ritual poderia ser formulado como a seguir:

Não se deve prontamente acreditar que uma pessoa está possessa, uma vez que a condição pode ser uma simulação, uma anormalidade psiquiátrica ou um dito fenômeno paranormal. A presença num mesmo indivíduo da dupla fenomenologia (orientada, obviamente, para uma forte aversão ao sagrado) é uma poderosa indicação de possessão. A certeza da possessão será evidente a partir da tonalidade particular das manifestações mencionadas acima; isto é, uma tonalidade que é totalmente distinta das modalidades que caracterizam fenômenos que têm causa natural. A certeza da possessão pode ser adicionalmente confirmada pela presença de outros fenômenos que dificilmente seriam classificados como psiquiátricos ou paranormais.

  1. Aplicação do processo de discernimento (diagnóstico)

Na maioria dos casos um exame de diagnóstico tem um propósito terapêutico, e isto é igualmente verdadeiro no que diz respeito à possessão e à infestação diabólica. É também terapêutico para opressão diabólica, mas com algumas reservas a respeito do exorcista e da pessoa que é objeto do ataque do diabo.

Cada caso deve ser examinado cuidadosa e prudentemente; a partir das manifestações ou fenômenos de modo que se possa concluir com um alto grau de probabilidade sobre uma presença diabólica; daí pode-se proceder ao exorcismo. É evidente que a pessoa adequada para se fazer um julgamento é um sacerdote. Mas uma vez que um conhecimento maior da fenomenologia diabólica irá sem dúvida assegurar uma decisão mais prudente, e tendo em mente a seriedade do julgamento final, bem como as possíveis conseqüências perigosas, pode-se entender quão necessário – de fato indispensável – é para o exorcista ter algum conhecimento de psiquiatria e parapsicologia. Ele irá necessitar no mínimo o suficiente para garantir o exercício prudente desta tarefa delicada.

Isto, contudo, não exclui a intervenção de um profissional psicólogo, psiquiatra, parapsicólogo ou médico, dependendo da natureza do caso ou da disponibilidade de especialistas. Mas é o sacerdote que deveria concluir o processo de discernimento.

O exorcista nunca deve deixar o paciente pura e simplesmente nas mãos do especialista. Ele não deve esquecer que o exame científico pelo psiquiatra ou neurologista, embora indispensável que seja, não é suficiente. Preocupado com o exame que irá habilitá-lo a diagnosticar o problema que esteja dentro do campo de sua especialidade, ele irá passar por cima ou ignorar qualquer coisa que esteja fora do seu conhecimento.

Por isso, o exorcista deve completar o exame psiquiátrico ou neurológico com um outro exame não para testar ou comprovar o exame feito pelo psiquiatra ou neurologista, mas para se assegurar se seus exames resolvem o problema inteiramente ou apenas em parte. O intuito desta investigação deve ser tal de modo que não se passe sobre nenhuma das manifestações que sejam relevantes ao comportamento do paciente”.

O exame feito pelo exorcista deve ser executado com o mesmo rigor e objetividade do que o realizado num exame médico. De outra forma, como poderia o exorcista determinar se os exames prévios foram ou não insuficientes ou incompletos?

O exorcista deve ter a competência científica e também necessita de um senso crítico objetivo que irá protegê-lo contra um “sobrenaturalismo” muito fácil que ele possa desenvolver durante a formação teológica ou que seja resultado do meio no qual ele vive e trabalha.

Um quadro geral sobre o critério de discernimento (diagnóstico)

diagnostico


Autor: Ministério de Formação Paulo Apóstolo

 

Comunidade Javé Nissi