MODÉSTIA

MODÉSTIA

A modéstia ou humildade é a consciência dos limites humanos e também dos limites das próprias virtudes. Ela faz com que todas as virtudes se tornem discretas, impedindo que se transformem em moralismo. A modéstia mantém as virtudes próximas de seu centro de equilíbrio; por isso uma mente virtuosamente modesta ou humilde não se subestima: ela sabe julgar a si mesma de forma justa, olhando com nitidez suas forças e suas limitações; é a alma humana encarando a si própria sem floreios e sem autoenganos; é um eterno auxílio à honesta avaliação de si mesmo. Assim a modéstia é uma forma de autoconhecimento, mesmo sabendo que nenhuma pessoa se conhece perfeitamente (um argumento válido, já que a filosofia explica que o autoconhecimento absoluto talvez seja um objetivo além dos limites humanos), ela não pretende ser um conhecimento perfeito porque isso seria um tanto arrogante.

Essa virtude cochicha aos nossos ouvidos constantemente que não somos deuses, que podemos errar mesmo quando achamos que estamos certos.  E é nesse sentido que a modéstia ou humildade serve de esteio a todas as outras virtudes. Sem um toque de lúcida humildade, a justiça se torna autoritária; a cortesia se torna pedante; a coragem se torna bravata. A modéstia ensina que virtude não é uma vitrine, mas uma descoberta íntima, o aprimoramento de nós mesmos, para que possamos aprimorar nossos filhos e quem sabe o mundo.

A humildade nada tem a ver com a autonegação, quando racional e comedida ela é o caminho para a liberdade. O que nos aproxima de Deus não é a negação de nossa humanidade, mas o mergulho consciente nela – é colocando os pés no chão que nos impulsionamos em direção aos céus – nos tornamos grandiosos quando aceitamos o que há de pequeno e insignificante em nós mesmos. Ao nos afastar da ilusão de que podemos tudo, de que somos os melhores a humildade nos aproxima de Deus. E, reconhecer Deus como Senhor de tudo é fazer como Maria no Magnificat: louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que seu nome é santo. Por que o humilde é exaltado? Porque ele tem a sabedoria, o amparo, a graça e a misericórdia de Deus. Esses são atributos que os orgulhosos e os auto-suficientes nunca vão conhecer. Para viver a virtude da modéstia não é necessário negar nossos talentos e dons. A humildade não deve negar a existência de uma capacidade nem o seu uso. Modéstia não pode transformar a timidez em uma virtude. A humildade verdadeira não é uma atitude produzida pela filosofia humana, mas pela ação do Espírito Santo na vida do cristão. Só podemos ter as qualidades do Espírito se tivermos o próprio Espírito.

Estamos começando um novo ano e podemos começá-lo com propósitos de mudanças em nossa vida e por consequência na vida de nossa família. De certa forma, quando acordamos na manhã de cada dia, começamos de novo nossa vida e precisamos ter consciência de que toda mudança (principalmente se for radical) pode ser fonte de sofrimento enquanto está acontecendo, mas depois se transforma em oportunidade para uma vida melhor. Começar o novo ano de forma nova, com a luz do Espírito Santo, é uma fantástica forma de libertação, provavelmente a melhor de todas. Desejamos que todos nós, pais e mães, à imagem de Maria, proporcionemos a nossos filhos um bom exemplo de vivência das virtudes cristãs, fazendo da modéstia ou humildade a guardiã de todas as outras.

Autor: Tiãozinho e Mila – Ministério das Famílias

Comunidade Javé Nissi