CONSUMISMO

CONSUMISMO

“Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão do céu; e sairá o povo e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu prove se anda em minha lei ou não (…) Isto é o que o Senhor ordenou: Colhei dele cada um conforme o que puder comer, um gômer para cada cabeça, segundo o número de pessoas; cada um tomará para os que se acharem na sua tenda” (Ex 16, 4.16.)     

Com a chegada do Natal comemoramos o nascimento de Jesus e o renascimento para uma nova vida, com valores diferentes e mais significativos. Mas um evento muito intrigante acompanha a comemoração: o consumo – alimentos para a ceia, presentes para a família e principalmente, a chegada do ‘Papai Noel’ para as crianças.

O século XXI trouxe uma explosão de modernidade e tecnologias. Tudo se torna útil e necessário: a máquina programada de fazer pão para o café da manhã, a máquina de café para que a todo momento você possa tomá-lo fresco e quente, os celulares caríssimos, brinquedos que conversam, andam, piscam e toda uma tecnologia avançada. Juntamente com tantos novos objetos, a explosão de preocupações, mudanças de hábitos e problemas para com o mundo moderno.

Atualmente as crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compras de uma família, segundo a TNS/InterScience, outubro de 2003. Apropriados da vulnerabilidade das crianças e cientes do pouco controle que elas têm sob os seus desejos, o mercado se delicia ao tratar os pequenos consumistas em consumidores do hoje e do amanhã e se apropriam do fato de que são uma poderosa influência no processo de escolha dos produtos.

É interessante sabermos que ninguém nasce consumista. Isso é um hábito mental que independe de sexo, idade, nacionalidade, poder aquisitivo ou crença. O que sabemos é que os pais têm grande influência sobre seus filhos e que os hábitos de consumo são passados de geração para geração e a mídia é uma aproveitadora da vulnerabilidade das crianças para torná-los aliados.

As crianças têm sofrido graves consequências que decorrem do exagero do consumo: obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, consumo precoce de tabaco e álcool, banalização da violência e da agressividade, enfraquecimento da autoridade paterna, descontrole orçamentário, transtornos do comportamento, diminuição das brincadeiras infantis, encorajamento do egoísmo, entre outros, o que faz do consumismo infantil uma demanda urgente.

Uma questão impreterível neste contexto é falarmos da responsabilidade dos pais, pois hoje, torna-se primordial que assumam o papel de educadores e mediadores em tempos em que o consumo e apelo das mídias destituem das nossas crianças os seus direitos fundamentais, tornando-as vítimas dentro da própria casa, no convivo familiar e no âmbito escolar.

Alguns produtos trazem na sua publicidade a garantia da eterna felicidade e bem-estar e valoriza somente as pessoas que consomem este produto. A criança que fica exposta a essa cultura do consumo exacerbado, cresce com inversão de valores e com uma desestrutura emocional e psíquica, tão determinantes para o desenvolvimento infantil na infância.  As mídias plantam o padrão de beleza, supervalorização da aparência física, alimentação pouco saudável, depreciando conceitos que colabora na construção de verdadeiros valores no caráter humano, como: amor, caridade, empatia, humildade, solidariedade, altruísmo, generosidade entre outros.

Como pais e cidadãos conscientes, precisamos fazer valer o artigo 227 da nossa Constituição Federal, que afirma “ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária” e, tudo aquilo que compete a infância. Propor um Natal onde possamos colher presentes da ‘árvore da vida e das relações humanas’, como bons sentimentos e amor ao próximo – carência da sociedade em que vivemos pode ter mais sucesso que um bem material qualquer.  Como seres ‘biopsicosocioespiritual’, o entendimento de que a humanidade luta a favor de seus próprios interessantes, seja sociais ou econômicos, faz-nos compreender que necessitamos da submissão a ação do Espírito Santo que nos foi derramado, e com sabedoria e discernimento, conseguiremos buscar as coisas do alto (Col 3,1 ), sem nos deixar seduzir pelo consumismo pós-moderno e todas as ofertas que nos são propostas diariamente.

Autor:  Lú Cazaroto – Psicóloga – Comunidade Javé Nissi

 

Comunidade Javé Nissi